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A arte de querer sempre mais.

2 de fev. de 2016
3 min de leitura

Desde pequena que me lembro de ter este “bicho”. Esta necessidade extrema de querer sempre mais. Talvez incutida pela minha mãe. A vida toda disse-me: “Trabalha sempre por teres um lugar na vida, melhor que o nosso”. Esta frase sempre ecoou em mim de forma repetida. E continua a ecoar.

Mas a realidade, é que me tenho apercebido que é um conceito que se vai transformando em mim com tempo. Com a maturidade. Com as necessidades. E dou por mim a refletir sobre o que outrora seria imponente e determinante e hoje já não é mais. Ou não é de forma tão iminente.

Com o tempo, o conceito de “querer sempre mais” foi deixando de ser tão material, tão palpável e visível a nível ocular e passou a ser mais de caracter espiritual. É como se já não tivesse objetivos finais ou definitivos e passasse a perspetivar a minha vida consoante o desenrolar dela. O meu “querer sempre mais” passou a ser um objetivo pessoal e intransmissível. Quero saber mais, busco saber mais. Sobre todas as áreas, das que me interessam e das que não. Questiono o que está há minha volta, quero ter opinião, mas fundamentada e se não sei procuro saber. Sem me privar. Sem ter que obrigatoriamente seguir uma linhagem, só porque sim.

Hoje o meu “querer sempre mais” passa principalmente por construir uma imagem de mim, única, quase que como se tivesse que ser patenteada! As gerações passadas acusam-nos de sermos seres tão formatados, mesmo que com tanta informação. E acaba por ser verdade. São tantas pessoas iguais. Que pensam igual. Que se vestem de igual. Que incorporam personagens de outras pessoas só porque almejam ser como elas. Não percebem que o segredo está em encontrarmos as nossas potencialidades, os nossos talentos e sermos únicos nessa missão. Mas então tu gostas de moda? Tu adoras sushi? E tu gostas de gin! Gosto sim. Mas nada me impede de gostar de estar na moda e ter o meu cunho pessoal, aquilo que me distingue! Aquele toque que só me é atribuído a mim. Nada me impede de gostar de sushi e de o comer de faca e garfo porque sofro daquilo a que apelidei a “deléxia dos hashi”. Ninguém me impede de gostar de gin e de não pegar no copo da forma que todos pegam, porque o gelo deixa-me com as mãos frias.

O que pretendo com isto dizer? Que sim, somos livres de gostar de tendências, de as seguir. Faz parte. Mas este “querer sempre mais” passa por poder gostar do que os comuns mortais gostam e mesmo assim sermos marca. Mesmo assim nos distinguirmos. Porque somos únicos. Com as nossas especificidades. Porque percebemos que somos potenciais e que não temos que ter uma linhagem igual, um percurso igual, uma linguagem corporal igual ou uma beleza igual. Que não há necessidade de querermos ser todas Kylie Jenner, Rita Pereira ou a Princesa Diana. Que há sim necessidade de nos destacarmos, de fazer prevalecer o que somos de melhor e utilizar isso para potencializar a sociedade. Refletir sobre o conceito “out of the box” e não deixar de querer saber, só porque não nos interessa ou não nos convém (ou achamos). O que não é hoje valorizado pode nos fazer a diferença amanhã. Fundamentalmente este “querer sempre mais” é não nos darmos por vencidos e maturarmos os nossos conceitos, os nossos ideais e fazer com que o tempo que cá despendemos tenha um propósito, um proveito e uma marca.

Vamos trabalhar o "#souumserunicoporque…" e mostrar às gerações que nos desvalorizam que até podemos usar a moda dos hashtags, mas que somos muito mais que isto, ou melhor, que somos isto e muito mais!



 
 
 

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SUSANA FERREIRA

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